Cientistas captam chuva tóxica após nuvem de poeira: ‘100 vezes mais’

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Homem morre após queda de barranco durante tempestade de areia em Tupã (SP)

Os moradores consideraram a chuva um alívio, por conta da qualidade do ar, que oscilava entre moderada, ruim e péssima desde julho, por conta de uma estiagem severa. Porém, ao analisar a água da chuva, pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) acenderam mais um alerta conectado aos efeitos das mudanças climáticas.

A análise realizada pelos cientistas detectou altos níveis de partículas químicas, como cálcio e magnésio, e de partículas orgânicas resultantes das queimadas, como hidrocarbonetos, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, dioxinas e furanos, compostos de grande interesse em termos de saúde pública, pelas características de alta toxicidade.

“A gente teve 13, 14 vezes mais espécies de cálcio e magnésio. Das espécies orgânicas já tivemos dezenas. A gente está analisando os dados e essas concentrações chegaram a 100 vezes mais do que as chuvas de mesmo volume. Essa chuva de domingo, digamos que ela estourou a escala de tudo aquilo que a gente já tinha visto”, explicou a professora de química da USP Maria Lúcia Arruda, ao EPTV, da TV Globo.

Ela explica que as partículas encontradas na água ficaram suspensas na atmosfera por causa dos ventos, que chegaram ao 100 km/h. “A gente pode ter uma chuva que tem bastante solo [cálcio e magnésio] e uma chuva que tem bastante queima de vegetação, biomassa. Nessa, tinha os dois”.

Partículas causam inflamação pulmonar

A médica pneumologista Rosângela Villela Garcia afirmou ao EPTV que, quando as pessoas inalam essas partículas, algumas ficam retidas nas vias respiratórias principais e o corpo consegue eliminar.

“Mas aquelas partículas muito pequenininhas conseguem chegar lá no fundo do pulmão. Isso causa, a curto prazo, uma inflamação pulmonar, gerando sintomas como tosse, secreção pulmonar, catarro, piora da falta de ar, principalmente nas pessoas que já têm alguma doença respiratória”, esclareceu a médica.

Maria Lúcia declarou que os efeitos da tempestade de areia foram amenizados em Ribeirão Preto porque a chuva ocorreu mais rápido do que em outras cidades do interior, como Franca, cujos moradores foram expostos por mais tempo à tempestade de partículas.

“Em Ribeirão, ventou por alguns minutos e choveu. A gente teve uma alta exposição por pouco tempo. Quem estava dentro de casa estava protegido, mas teve lugares na região que ficou muito tempo ventando e sem chuva. Essas pessoas foram mais expostas”, diz Maria Lúcia.

A professora alerta que eventos climáticos extremos estão se tornando cada vez mais comuns. E estão obviamente conectados à conduta do ser humano em relação ao meio ambiente.

“A gente falava de mudanças climáticas como uma coisa de futuro, e o futuro chegou. Está bem claro para nós que as mudanças climáticas estão sendo sentidas e nós estamos sofrendo os impactos. É um ponto de reflexão sobre as nossas atitudes com relação ao meio ambiente.”

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